Entrevista com Lucas Villa, vocalista do Morbydia

A produtora Tamanduá – responsável pelo anual Titans of Metal [evento que traz aos palcos grandes nomes da cena piauiense], confirmou a presença do Morbydia (dark/doom metal) para a edição 2010 do show. Em entrevista à produtora, Lucas falou sobre o desejo de voltar a tocar e sobre o que mudou na banda que lançou o aclamado “Requiem to The Sun”. Confira:

[caption id="attachment_10" align="alignnone" width="580" caption="Entrevista com Lucas Villa, vocalista do Morbydia"]Entrevista com Lucas Villa, vocalista do Morbydia[/caption]

Em que ano surgiu o Morbydia e como foi o processo de construção da banda?

A banda surgiu entre 99 e 2000, e o processo de formação se deu paulatinamente. Eu, Acélio e Delano já nos conhecíamos e fomos em busca de um baterista e um vocalista (no início Lucas só tocava guitarra). Assim que surgiu a primeira formação do Morbydia, com Acélio e eu nas guitarras, Delano no baixo, Diego na bateria e Vítor no vocal. Depois de um certo tempo Vítor deixou a banda, indo para os vocais do Empty Grace e eu assumi também o posto de vocalista. Aos poucos a banda foi se acertando e fechando a formação que seria definitiva.

Nesses dez anos de estrada o Morbydia conquistou inúmeros fãs, como via-se nas apresentações da banda. Esse foi um fator determinante para a reunião da banda em sua apresentação no Titans of Metal 2010, a saudade do palco, do seu público?

Certamente, bateu a saudade do palco e do público. Acho que conseguimos fazer com que algumas pessoas aqui em Teresina se identificassem com nosso som. Essas pessoas cobram a gente, às vezes, pedem que a gente volte. E o Titans of Metal nos pareceu uma excelente oportunidade pra fazermos um show de comemoração, já que este ano o Morbydia completaria 10 anos de atividade.

À época do lançamento do CD “Requiem to The Sun” (Avernus Records), lembro-me de vários elogios em revistas, zines e webzines, onde destaco a excelente avaliação por parte das duas tradicionais revistas especializadas, Rock Brigade e Road Crew. Da visão do músico que estava dentro do processo, qual foi o diferencial para tamanha repercussão positiva do trabalho de vocês? Existe a possibilidade dessa reunião do Morbydia vir a ser definitiva, tendo como referência o valoroso resultado obtido com a divulgação de “Requiem to The Sun”?

O nosso disco nos satisfez muito. Saiu do jeito que a gente queria, é um trabalho que a gente ouve e se orgulha de ter realizado. No cenário teresinense, o nosso som sempre foi diferente. A idéia de fazer um doom puro, arrastado, lento, porém pesado, não era algo muito corrente aqui na época. A repercussão positiva do disco nas revistas nacionais também nos deixou bastante felizes.

Sobre um possível retorno do Morbydia, vamos ver o que acontece depois desse show. Nós, da banda, não conversamos sobre isso ainda, mas quem sabe…

O processo de composição de “Requiem to The Sun” partiu de letras ou melodias? Fica uma dúvida pelo primor com que foram tratados esses dois aspectos das músicas.

Em geral nossas músicas começavam pela melodia. Mais especificamente pelos temas da guitarra do Acélio. As letras vinham somente depois, embora a idéia delas já estivesse traçada desde que surgiu a intenção de produzir um disco. Nosso disco é temático e as letras guardam, todas elas, relações entre si. Isso sempre foi algo que achei muito legal no Morbydia, a forma como minhas letras e as melodias do Acélio funcionavam juntas.

É notória a influência de bandas como My Dying Bride, Tristania, Anathema e eu diria até mesmo o Pink Floyd, mas sem em nenhum momento ofuscar o brilhantismo e a autenticidade musical do Morbydia. Essas bandas ainda estão em sua lista de músicas ouvidas em seu dia-a-dia? Na possibilidade de um novo álbum, teria ele a mesma essência musical de seu antecessor?

My Dying Bride é minha banda preferida, nunca deixo de ouvir. Anathema, de vez em quando. Tristania, já não ouço. Pink Floyd também se mantém. Mas atualmente ando ouvindo muita coisa diferente e não necessariamente metal. Acho que na possibilidade de um novo álbum, a essência e a identidade da banda se manteria, mas muita coisa diferente também apareceria. Não gostamos muito de ficar fazendo sempre a mesma coisa.

Empty Grace, Dark Season e Into Morphin dividiram palco inúmeras vezes com o Morbydia durante o período de atividade da banda. A edição 2010 do Titans of Metal recria essa cena vivida anos atrás. Algum fato curioso ou engraçado nas outras oportunidades que dividiram o mesmo palco? O que acha desse quarteto dentro do Titans of Metal 2010?

É uma honra para o Morbydia voltar a tocar na companhia desses gigantes. As três bandas são fantásticas e marcaram, cada uma a seu modo, a história do metal teresinense. Esse show vai ser um verdadeiro “flashback”, um retorno ao cenário de uma das melhores épocas do metal por aqui. A cena hoje está diferente e acredito que esse “remember” vai fazer muito bem a todos nós e ao público.

Acho que o fato mais curioso envolvendo essas bandas que me recordo foi um dia que tocamos no FullRock Bar e, na saída, um assaltante estava arrombando o carro do Mateus. Nesse dia o Ubaldo, guitarrista da Into Morphin, deu uma surra pesada nesse cara e acabou enjaulado numa delegacia. O cara tava uma fera, incontrolável.

Creio que tenha sido esse show em meados de 2003 que tive a oportunidade de presenciar e que para mim foi um dos melhores shows do Morbydia, bem intimista, com o público a poucos centímetros dos músicos e lembro bem que a política da casa era de que a banda fizesse seu show sozinho, tendo tempo e espaço até para improvisações. Para você, qual ou quais shows foram memoráveis como membro do Morbydia?

Foi esse show mesmo. Uma banda só, tocava a noite toda, o quanto quisesse. Esse show com certeza foi bem legal. Outro show marcante foi um dos vários que fizemos lá no noé mendes. Lembro bem que nesse show choveu muito e foi bem bacana ver que a galera não correu da chuva. Muita gente batendo cabeça debaixo d’água com uma versão que fizemos de “For Whom the Bell Tolls”, do Metallica. Certamente marcante.

Também marcaram shows como o “Sábado Negro”, os “Tribus” de que participamos, um show organizado inclusive por você lá no antigo Boteco dos Poetas e o show no Noé Mendes em que gravamos o clip de Presence. Enfim, foram muitos shows, mas pra mim todos eles foram marcantes. O Morbydia foi algo marcante na minha vida.

Vamos falar de equipamentos. Nessa apresentação se utilizará de sua marcante Jackson Kelly ou teremos o Lucas apenas como vocalista? Fale um pouco sobre seu equipamento em palco, o que usou no álbum, o que usa como efeitos, encordoamentos, captadores, etc.

Acredito que a Kelly apareça lá pelo show sim. Faz parte dos planos tocar guitarra em algumas músicas nesse show. Mas teremos também a presença do Thiago acompanhando o Acélio nas guitarras. Bom, costumo usar encordamento 0.10, mas especificamente pra gravação das bases do disco usei 0.11. A afinação no disco era dó, mas nesse show tocaremos em ré.

Pra gravação do disco o equipamento foi bem diversificado. Usei várias guitarras além da minha, mas principalmente uma Gibson Les-Paul. A distorção ficou, quase sempre, por conta do Marshall JCM900 e, às vezes, Sans-Amp. A captação da minha guitarra é a original da Jackson, embora eu já tenha trocado uma época por Seymour Duncan. Quanto a pedais de efeito, não sou de muito fru-fru não. As firulas deixo por conta do Acélio e do Thiago.

Agradeço por sua atenção e fica aqui o espaço para seu recado aos fãs.

Nós é que agradecemos pela organização desse evento fantástico e pela honra do convite para participarmos dele. Esperamos todo mundo lá no Titans of Metal. Temos certeza que teremos ótimos shows lá. Aguardem o Morbydia em sua melhor forma e com algumas surpresas. Grande abraço.
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About Fábio Pitombeira

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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