MURDEATH: ''É um grande erro tentar forçar o que não é só pra tentar agradar um certo publico''

Formada por Jean Augusto (Vocal/Guitar), Danilo Angeli (guitar) e Matheus Cantaleäno (Guitarra), o Murdeath explode um Speed Metal furioso e autêntico com influências de Enforcer e Evil Invaders, além de ter muita musicalidade dentro do gênero a que se propõe. Com o lançamento de seu último registro, “Sob o Signo....”, a banda acrescenta mais um degrau na escadaria com a turnê que só se inicia, onde já emplaca com boa repercussão Brasil a fora. Para esta entrevista, Jean e Matheus falam um pouco das questões mais importantes sobre a história do Murdeath, seus lançamentos e muito mais.

Pedro Hewitt: Por um bom tempo que já conheço a banda percebi que a mesma é apontada (Na minha visão) como uma das melhores bandas do gênero na atualidade. Para darmos início, saudações e um salve grandioso a vocês. Como estão?
Jean: Primeiramente, muito obrigado pelas palavras, ficamos felizes em saber, e muito obrigado pelo convite para a entrevista. Estamos bem. Ansiosos para a turnê.


Pedro Hewitt: Vocês desde 2012 possuem acertos e caprichos invejáveis que mais parece que a banda existe a 10, 20 anos pela estrada, isso de fato é surpreendente. Vocês a cada material mantiveram um nível bem organizado e insano, o Brasil precisa de mais bandas como o Murdeath. Voltando um pouco no tempo, como foi gravar "Sob o Signo..."?
Jean: Primeiramente gravamos um single da ”Quebre as Correntes”, para ver se gostariamos da gravação, mixagem, e todo esse trabalho do Alysson Irala, dono do “Funds House Studio”, e responsável pelas nossas ultimas gravações, mixagens e etc. Eu particularmente nunca fui muito feliz com os resultados de gravações e experiências em studios anteriores, gravamos apenas a “Quebre” para ver como seria nesse novo estudio e com outra pessoa por trás das gravações. Ficamos realmente muito satisfeitos com o trabalho, logo em seguida começamos a gravação do “Sob o Signo...”, demoramos cerca de dois a três meses para completar todas gravações, levamos mais 1 mês para mixar, e no final organizamos um show de lançamento aqui em Curitiba no TUC, com Flageladör, Blackened e Poison Beer. Gostamos tanto de trabalhar com o Alysson que recentemente gravamos mais um single com ele, de uma música chamada “Possessão”, mas dessa vez apenas a captação dos instrumentos foi por conta dele, para a bateria contamos com a força de um amigo nosso, Jeff Verdani (Axecuter/Jailor) que chegou a tocar um show ao vivo com a gente. O resto desse single é surpresa, mas esperamos lançar ele em Outubro.

Pedro Hewitt: O material citado acima é inegável dizer que não possui uma alta inserção no cenário musical Underground, logo porque é 100% cantado em português e ainda por cima possui um tributo do lendário Vírus. Qual a importância da língua portuguesa no Underground?
Jean: Não sei dizer. Sem ela não estaríamos conversando agora nessa entrevista (Risos). Não acho que alguma língua seja mais importante que outra, muito menos sou patriota pra me orgulhar da minha nacionalidade, é apenas mais fácil para compor, escrever, decorar as letras e cantar (Risos).


Pedro Hewitt: Somente o "Dragged To Hell" é 100% em inglês. Já pensaram em relançar ele com essa nova fase? Ou pretendem seguir o mesmo ritmo do que estão atualmente? Estão indo bem, porém outras bandas se "perdem" por falta de coesão nas execuções.
Jean: Quando foi gravado, o Dragged to Hell contava com outra formação, daquela época apenas eu “sobrei” na banda, a proposta era outra, as ideias eram outras, os outros membros influenciavam bastante na proposta da banda também, hoje eles estão bem sucedidos com a banda que decidiram seguir; Blackened. Jão (ex-baixista) e Marcelo (ex-baterista) são grandes amigos, mas a banda era realmente outra, essa mudança que rolou com o tempo ocorreu naturalmente, novas influencias, novos tempos. Sendo mais direto, não pretendemos regravar nada, talvez reaproveitar algum riff ou outro em alguma musica nova, mas creio que nada demais, a idéia de regravar as musicas dessa demo não condizem com nossa realidade atual.


Pedro Hewitt: A repercussão de vocês é constante, onde estarão em uma turnê ao lado do Flagelador e Red Razor através da Speed Freak Booking, do grande Victor Elian (Escarnium). Como se deu essa parceria? O que esperam da turnê? E que saldos positivos já possuem graças essa oportunidade?

Jean: A SpeedFrëak foi recomendação do próprio Armandö (Flageladör) e José Sauron (Caverna), entrei em contato com o Victor Escarnium e fomos bolando essa ideia da tour, inicialmente era pra ser apenas a Murdeath e Flageladör, aí o Red Razor embarcou junto nessa para agregar, e com certeza vai ser do caralho, são grandes pessoas , grandes músicos e grandes amigos. O que esperamos é pura insanidade, muita estrada, muitas histórias pra contar, muitas amizades pra fazer, e principalmente; muito Heavy Metal. O saldo positivo é imenso, vamos conhecer cidades que eu nunca imaginava que fosse visitar, muito menos tocar. Além disso, tocaremos com diversas bandas que apreciamos, conheceremos pessoalmente vários amigos que fizemos por internet, e muito mais.

Pedro Hewitt: Manter uma banda não é nada fácil, ainda mais no cenário nacional que é tão vasto e cheio de crescimento repentino. Infelizmente bandas como o Evil Exorcist caiu nas graças da finalização, mas nunca do esquecimento. A última tocada deve ser a pior de todas. Mas então, vocês possuem a formação intacta faz um bom tempo, como lidaram com isso desde então? E na opinião de cada um, como a banda conseguiu e consegue cada vez mais alcançar o reconhecimento merecido?
Mateus: Cara, acho que o que tem mantido essa formação por mais tempo do que as passadas, é que nós 3 realmente somos amigos e ja eramos antes mesmo de tocarmos juntos, compartilhamos os mesmos gostos, em relação a som, visu, e muitas outras coisas, ninguem aqui está só preenchendo um lugar vago porque falta um guitarrista ou um baixista, etc. E acho que um dos motivos pra ter "dado certo", é exatamente isso, nós só fazemos e tocamos o que nós somos e curtimos, é um grande erro tentar forçar o que não é só pra tentar agradar um certo publico.

Pedro Hewitt: Ao meu ver também o power trio são o Enforcer do Brasil, mantendo uma postura e um carisma que é identidade do Murdeath, galera nova mas com sangue de Old School. Falando em nova geração, vocês observam como andam a cabeça de alguns, não é? Uns criam brigas por isso e aquilo, pensam que são os melhores, envolvem muitos casos sem sentido, enfim, isso causa impacto na banda? Será que esses seres estão menos conscientes do que outros que vieram anos atrás?
Mateus: Agradeço demais pelos elogios, Enforcer é claramente uma das influências do nosso som, valeu! E pra ser sincero não vejo muito isso na "nova geração", acho inclusive que a que está vindo é até um pouco mais conscientizada que a passada, sem querer generalizar lógicamente, a galera mais 'velha' costumava ter um preconceito com os mais novos e ser um pouco mais fechada a novas pessoas frequentando os roles, hoje pro bem da cena isso mudou, e a não vejo isso nessa "nova geração", o que no caso inclui a gente tambem.

Pedro Hewitt: Escórias sempre tentam usar o Metal para manifestar coisas absurdas e totalmente ao contrário do que o Underground realmente preza, fora uns espalhados que estão praticamente se matando para criar um 'livro de regras', totalmente estranhos em conversas/debates, criando ofensas. Qual o recado de vocês diante toda essa situação?
Mateus: Saiam da jaula e quebrem as correntes! (Risos)

Pedro Hewitt: Levando o mesmo raciocínio, quais os tipos de bandas que merecem ser entendidas como Underground, e aquelas que não mereciam nem ensaiar?
Mateus: Na minha opnião todos os que estão espalhados por aí que entendem o real sentido do Underground, fazendo o som que curtem e além disso ajudando e fazendo o rolê acontecer merecem ser reconhecidas. É foda dizer quem deve ou não, porém, acho que aqueles que desmerecem e tentam passar por cima de outros, os que tratam o Underground como uma competição deveriam procurar outro lugar.

Pedro Hewitt: O que acham das bandas que se vendem facilmente? Que fogem da ideologia devido a necessidade e/ou ganância?
Jean: Creio que não precisamos achar nada, essas bandas quebram a própria cara com o tempo. Apenas colherão o que plantarem.

11 - Pedro Hewitt: Os estilos com spykes, calças rasgadas, cintos de bala, camisas de banda fazem parte do nosso cotidiano, algumas bandas só possuem vaidade e só tiveram um pouco de destaque graças ao modismo adotado, porém outras conseguiram pelo som, pela dedicação, por ir fundo ao submundo e ter a lealdade ao verdadeiro Underground (Um salve a Facing Fear, Biter, Chumbo). Analisando as situações, o que pensam a respeito dessas bandas? Principalmente daquelas que tentam ter "sucesso" nas custas do "verão" e/ou de outros.
Mateus: Como já dito anteriormente pelo Jean, acho que não estamos em posição e nem cabe a nós julgar ninguem, o tempo é quem vai mostrando quem são os verdadeiros e quem só ta aproveitando a fase.

Pedro Hewitt: Li uma vez e resolvi colocar aqui em pauta também. Como observam que o Metal se insere no atual contexto em que por vezes a necessidade de vender dita as regras?
Mateus: Não tenho muito o que falar sobre isso, acho que essa realidade é algo que está distante da gente e esperamos que continue, a gente vive noUunderground é outro mundo, o importante mesmo é primeiro você fazer o que você gosta e depois pensar no resto, vender ou não é só um detalhe, é importante, mas não a ponto de mudarmos algo no nosso som ou em nós mesmos em função disso.

Pedro Hewitt: Volta e meia faço a pergunta em inúmeras entrevistas, e pra vocês não seriam diferente. O que acham dessa galera que faz sucesso muito rápido, isto é, sobre o mercado musical?
Jean: Bom, hoje temos a internet pra espalhar tudo. Coisas boas tendem a se espalhar naturalmente e ter seu reconhecimento, mas também não é apenas ficar sentado esperando. Tudo depende de uma correria que existe por trás de tudo. Porém, ao mesmo tempo as redes sociais dão oportunidade de muita coisa ruim se espalhar, com posts patrocinados e esse tipo de coisa, qualquer um pode divulgar o seu material e fazer várias pessoas acabar assistindo seu trabalho. Sei lá, é uma questão difícil de responder (Risos). Muita coisa rola naturalmente, outras pode se perceber que é ‘forçado’, principalmente com essa ilusão que curtidas em rede social significam muito, enquanto na real são apenas números.

Pedro Hewitt: "Quebre as Correntes" poderia ser um dos hinos mais triunfantes que o Metal possui. Pesado, rápido, sem frescura e da maneira que precisa ser. De onde surgiu a brilhante ideia de criar a letra?
Mateus: Eu e Jean criamos tanto letra quanto o som, eu dei a idéia inicial e fomos desenvolvendo juntos o restante, a ideia da letra é basicamente sobre liberdade que é o que o Metal é e sempre foi, por incrível que pareça nos tempos atuais tem muita gente mente fechada e conservadora dentro do Metal, mesmo o Metal pregando sempre a quebra de qualquer paradigma, e é sobre isso que o som fala, não seguir, não aceitar essas regras e quebrar quaisquer sejam as correntes que queiram te prender. E novamente agradeço demais pelos elogios!

Pedro Hewitt: Com intenso poder e cordas pegando fogo, encerro por aqui. Continuem firme e forte com a potência sonora na trajetória do Murdeath. Até breve.
Mateus: Novamente muito obrigado pela oportunidade e por toda a força, é um prazer pra gente poder estar fazendo parte disso, nos vemos em Setembro!
Jean: É um imenso prazer poder fazer essa entrevista, muito obrigado pelo espaço! 666

Para mais informações, shows e merchandise:
https://www.facebook.com/Murdeath66/

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About Pedro Hewitt

Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero, Empty Grace, Morbydia, Káfila, entre outros.

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