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	<title>Full Rock Inc. &#187; Delirium Tremens</title>
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		<title>Texto publicado originalmente em 2002: Delírios em prosa poética</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 19:57:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Villa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Delirium Tremens]]></category>

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		<description><![CDATA[Saudações, mentes ansiosas! Desta vez resolvi fazer jus ao nome da coluna compartilhando convosco verdadeiros delírios. Não perguntem sobre sentido ou significado, apenas leiam e sintam.<div class='yarpp-related-rss'>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>29/11/2002</p>
<p>Saudações, mentes ansiosas! Desta vez resolvi fazer jus ao nome da coluna compartilhando convosco verdadeiros delírios. Não perguntem sobre sentido ou significado, apenas leiam e sintam.</p>
<p>Reverências</p>
<p>Lucas Villa</p>
<p>***</p>
<p>Abri os olhos, ela ainda estava lá. Vomitava turbilhões de azul em labaredas gélidas. Suas órbitas projetadas como mísseis apontavam o céu como se fora seu único destino, sua meta e alvo. Era noite, mas o sol ainda nos observava à distância.</p>
<p>As moscas beliscavam meus calcanhares, ela me olhava e sorria, despretensiosa. O ar era pesado e meu peito era leve e vazio. Fumaça por todos os lados, o cinza talhava bocas e línguas no firmamento, meus dedos ficavam gelados e seus ouvidos pareciam sumir entre os cabelos sem cor. Os lábios dela se moviam, mas eu não conseguia ouvir sua voz.</p>
<p>O tempo não existe, sussurrava a enorme borboleta que nos sobrevoava insistentemente, deixando cair sobre nós um pólen dourado de aroma doce. Eu tocava o pó, suspenso no ar, e por vezes o levava até a boca, onde ele se tornava mel e me adormecia os lábios e a língua. Agora ela corria como uma criança, se erguia e pisava sobre sua própria cabeça, usando-a como degrau. Atingia alturas incríveis.</p>
<p>Eu queria tentar também. A noite era bela e eu só queria me sentir bem. Eu sabia, ela sabia, as moscas, a borboleta, a fumaça e as labaredas também sabiam o quanto aquilo me fazia sentir bem. No fundo, creio que era ela que me fazia sentir assim, o demais advinha como natural conseqüência.</p>
<p>Tentei pisar minha cabeça, mas a senti deveras lisa.</p>
<p>Ela abriu a janela e saiu, fazendo sinal para que eu a seguisse, mas ao tentar sair a janela fechou-se repentinamente e na parede a ela diametralmente oposta abriu-se uma enorme boca, com lábios azuis, dentes enormes e uma língua esverdeada e comprida. A misteriosa fauce me aspirou e de repente eu já estava naquela gigantesca garganta. Quando a boca se fechou, tudo era escuridão.</p>
<p>***</p>
<p>Agora havia um deserto, e ela não estava lá. Ao chão eu pisava grãos de areia cor de rosa, gelados e brilhantes. Havia dunas e mais dunas, e no topo de cada duna uma árvore, sempre ressequida, sem folhas ou frutos. Algo me tocou ao ombro.</p>
<p>- A voz da sonolência grita aos ouvidos doutos.</p>
<p>Era Verfasung, vestido em sua jaqueta de faces, saltitando como um coelho manco, com seu rosto que era uma só cicatriz. Sua pele era seca e murcha, rente aos ossos, ostentava máculas por todo o corpo, era magro e se movia com leveza, ainda que de forma desajeitada. Era a contradição viva da natureza e ao chão que pisava brotavam sempre lírios lívidos e molhados.</p>
<p>Quando os lírios brotam a dor parece liquefeita, podemos senti-la molhando a boca e escorrendo pela garganta. Um lírio é sempre um lírio, mas a dor nem sempre é dor. Há casos em que a dor também é lírio.</p>
<p>Distraí-me com o vento e o som das crianças brincando, quando dei por mim Verfasung sumira. Segui pela estrada de lírios, por entre vales e montanhas de areias púrpuras.</p>
<p>***</p>
<p>O fim da existência é um segundo doce e silencioso. Não há que se ouvir músicas ou vozes, não há que se ver mais que as próprias pálpebras.<br />
E quando a vida acaba, continua a mesma.</p>
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