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Entrevista antiga com o Violator e que vale a leitura

dom, out 5, 2008

Entrevistas

Costuma-se dizer que as melhores bandas são aquelas que se formam lá fora e já chegam aqui no Brasil com um certo renome ou que as melhores bandas brasileiras são ou foram aquelas que alcançaram seus dias de glória lá fora do país primeiro para depois chegarem no Brasil e serem aceitas. Essa ‘receita’ alimenta a maioria das mentes brasileiras – infelizmente – , mas tem mudado em algumas poucas que ainda respeitam, valorizam e realmente dão força ao que é produzido em nosso solo: bandas, zines e produtores nacionais têm mobilizado suas forças para fazer crescer o que temos por aqui.

Exemplo de banda? Violator, quarteto de Brasília que prega exatamente esta união em busca de um crescimento e valorização do cenário nacional e das bandas que surgem em nosso país. “Chamar o Violator de Thrash 80’s tem a ver não apenas com o som que a gente faz, mas também com toda uma postura de headbanger dos anos 80 que a gente tenta resgatar: a união do Thrash com o Hardcore, ter uma cena produtiva e com bons shows, como nos anos 80”, disse ao Novo Metal o simpaticíssimo vocalista, Pedro Arcanjo, de apenas 20 anos (incompletos), cuja idade engana: é um “menino”, cujas convicções, posturas e idéias demonstram uma imensa maturidade. Tal espírito maduro, sempre leve e muito descontraído também se reflete nos demais integrantes da já proeminente Violator, que gentilmente nos cedeu uma empolgante entrevista, que logo em breve disponibilizaremos aqui no site para o completo deleite do público.

A banda surgiu em 1999, com Pedro Arcanjo (baixo e vocal), Pedro Dias (guitarra) e David Araya (bateria). Na época, os meninos – sim, meninos, cuja média de idade era de 14 anos – do Violator não levavam a banda tão a sério. Somente a partir de maio de 2002, com a entrada de Juan Lerda (guitarra), que a banda oficialmente passou a existir e em junho de 2002 houve a gravação da primeira demo, intitulada Killer Instinct. Os garotos, que contaram com apoio local – como do vocalista Robson Aldeoli, do Abhorrent; de Rafael Manson; do Zé, produtor de shows local e dono da loja Filial do Rock; e do Rolldão, do zine e da rádio Metal Blood –, passaram, então, a fazer muitos shows pelo Distrito Federal, por outros Estados, inclusive passando também em outros países da América do Sul, além de participarem de coletâneas (Coletânea Metal Vox Volume 1, em 2003, organizada pelo zine Metal Vox, e Coletânea Fast-Food Thrash Metal, também em 2003, organizada pelo Felipe CDC, do Death Slam). Quanto ao nome da banda, bem, não é tão longa história: “queríamos qualquer coisa que rimasse com Kreator”, afirmou, entre muitos risos e gargalhadas, o vocalista Pedro Arcanjo. Ainda segundo ele, “é tudo clichê doas nos 80, inclusive o próprio nome da banda. Vejo muitas bandas por aí querendo inventar filosofias mirabolantes para o nome das suas bandas e a nossa história é somente essa: queríamos algo clichê, que soasse oitentista e que rimasse com Kreator.”

No ano de 2004, o Violator gravou um EP pela Kill Again Records, do zine Metal Blood, intitulado Violent Mosh, que teve uma ótima recepção do público e da mídia especializada: todas as 1000 cópias já se esgotaram. Uma nova prensagem deste EP está prevista ainda para o presente ano de 2005 e ela contará com algumas outras faixas-bônus – além das 2 que já tinham na primeira prensagem. Este primeiro EP da banda já pode ser considerado uma obra-prima do Thrash feito no Brasil: o trabalho gráfico, produção e o próprio som da banda – “Thrash 80’s, sem espaço para outras sonoridades”, como afirma Pedro Arcanjo – fazem com que esses meninos mereçam toda a atenção do público thrasher. Ao ouvir o EP, não há como ter dúvidas: é “somente” Thrash 80’s e “somente” assim que a banda quer soar e esse é o som que todo thrasher pode querer ouvir sem titubear. O Violator sente orgulho de soar e agir como age. E com razão: “O Metal de antigamente não era ‘vendido’ como o de hoje em dia. Nos nossos dias criou-se todo um comércio em cima do Metal e isso não existia antigamente”, responde-nos Pedro Dias.

Planos para o futuro? Sim, incluindo um novo release: “Já temos planos para uma próxima gravação, pois já se passou algum tempo desde o Violent Mosh até agora!”, nos disse Pedro Dias, que nos surpreendeu com tal afirmativa ao fim da entrevista. “Sim, já estamos pensando em um novo release, pois nosso EP saiu em 2004 e acho que um espaço de 2 anos entre uma gravação e outra já é de bom tamanho para sair material novo” , ainda segundo Dias. Esse novo release é, certamente, um dos mais esperados pelo público Thrash, exatamente pelo fato de a banda ser nova (3 anos de existência oficial), conservar as atitudes oitentistas e de fazer um som que gostam, admiram e por este som ser tão fiel ao mais puro Thrash – sem modismos, sem inclusões de outras sonoridades.

Para tão estável banda, um longo histórico forma o passado desses meninos: todos eles já eram bastante amigos antes de formarem o Violator e, de acordo com Pedro Arcanjo, “a banda surgiu em conseqüência da amizade, não o contrário. Éramos quatro moleques que nem sabiam tocar nada, mas que queriam formar uma banda de Thrash”. Tal amizade, até hoje preservada, reflete diretamente todos os ideais defendidos pela banda: o visual, as idéias, o som e até mesmo as influências. E, quando perguntados sobre as influências pessoais, responderam de maneira humilde e sem piscar: “Esse negócio de influência é para músico. Nós não somos músicos e nem sabemos tocar nada!”

Entretanto, mesmo com tudo o que já foi dito, seria extremamente idealista da parte do leitor (e também da redatora) pensar que esta brilhante banda foi aceita facilmente: o começo de (quase) toda banda é difícil e não foi diferente com estes brasilienses. Por serem novos e pregarem o retorno de uma sonoridade que não é a de sua época, por quererem também o retorno de uma postura que eles não presenciaram e por uma série de outras razões, houve uma certa resistência do público no início: aceitação lenta, difícil e, somente depois de algum tempo, houve, de fato, reconhecimento do trabalho do quarteto. “No início, ninguém dava crédito para a banda. Com o tempo, fomos mostrando que não era porque éramos moleques e por não termos vivido a década de oitenta que não éramos competentes para fazer o que fazemos com a banda”, contou-nos David Araya. Hoje em dia, a aceitação já é bem maior e, de acordo com Pedro Arcanjo, “somos causa e conseqüência disso [do crescimento da cena Thrash em Brasília]. Está rolando um movimento forte do Thrash por aqui e isso é muito legal. A recepção da banda por aqui tem sido maravilhosa e só não estamos tocando muito em Brasília porque temos tocado bastante também em outros Estados. Todas as vezes que tocamos aqui, os shows são muito animados, com muitos moshs, todo mundo cantando as músicas.”

Para finalizar este pequena artículo, a mensagem que o Violator nos dá é um grande exemplo de consciência de que devemos unir o underground nacional para termos uma cena mais forte. Já não é nenhuma novidade o que eu falei ao início do meu texto sobre a mentalidade do brasileiro – aquela em que o que vem de fora sempre é melhor etc – e também não é nenhuma novidade que precisamos de uma cena mais unida. Para tal, faz-se necessária a presença de bandas cuja mentalidade se assemelhe à do Violator, que, como explica Pedro Dias, “tem tentado passar a mensagem de unir o underground”. Precisamos de bandas como essa, de público que se transmita e aja em torno da união, de mídia e de todo o aparato possível para que consigamos fazer o nosso Metal cresça e nos proporcione grandes e animados shows com essas bandas das quais temos tanto orgulho em apresentar.

Informações gerais:

Banda:
Pedro Arcanjo: vocalista e baixista
Pedro Dias: guitarrista
Juan Lerda: guitarrista
David Araya: baterista

Discografia:

Killer Instinct (Demo) – 2002
Coletânea Metal Vox – 2003
Coletânea Fast Food Thrash Metal – 2003
Violent Mosh (EP) – 2004
Violent War (EP) - 2005
DVD Da Tribo - 2006
Chemical Assault - 2006

Contatos:
Site: http://www.violatorthrash.com
Gravadora: http://www.killagainrec.com

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Serviço:
Violator em Teresina
Dia 29 de novembro . Sábado
Noé Mendes . 20 horas
Ingressos: Moral, Antro e Toccata
Breve mais informações.

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